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Tão elaborado quanto a arte de distinguir a bebida de Bacos pela cor, perfume e sabor é o fascínio pelo destilado de arroz. Conheça Vanessa Cinti e Yasmin Yonashiro, sommeliers especialistas na bebida japonesa. Irasshaimase!

▲ Trio de Ouro
Flight, drink elaborado por Vanessa Cinti para o 45 Park Lane de Londres. Une três tipos diferentes de saquê numa combinação exclusiva.

“Da mesma forma que a espécie das videiras, a qualidade do solo, o recipiente de envelhecimento—tipo de madeira—e as condições climáticas in uenciam o produto das vinícolas, o saquê tem nuances que dependem do tipo do arroz e das nuances que envolvem sua produção.”

Vanessa cinti

Pouca gente sabe, mas sommelier, palavra de origem francesa, não é um termo adequado apenas aos conhecedores de vinho. Para isso, existe o vocábulo enólogo. “Sommelier é um especialista em bebidas que não se restringe, necessariamente, ao trabalho com vinhos”, explica Yasmin Yonashiro, especialista em saquês e consultora do grupo Nagayama e da estrelada marca hakutsuru, da importadora Kittobras. Para Vanessa Cinti, a especialista responsável pela seleção de saquês do hotel 45 park Lane, da Dorchester Collection de Londres, o trabalho do sommelier da bebida japonesa é similar ao daqueles que se ocupam do vinho. “Da mesma forma que a espécie das videiras, a qualidade do solo, o recipiente de envelhecimento—tipo de madeira—e as condições climáticas influenciam o produto das vinícolas, o saquê tem nuances que dependem do tipo do arroz e das nuances que envolvem sua produção”, explica Cinti. Para ela, o nariz do saquê é mais importante do que a cor quando se quer identificar a origem ou a qualidade do destilado. “Quanto mais limpo e selecionado for o arroz, mais puro e sofisticado será o saquê. Junmai é a variação mais pura da bebida, porque dispensa a adição de álcool à mistura. Ginjo e daiginjo são as versões que usam a melhor qualidade de arroz”, completa. Cinti tem à disposição um gigantesco hall de variedade da bebida, no charmoso bar art déco do 45 Park Lane. Quando perguntada sobre a melhor marca de saquê do mundo, hesitou em responder. “Há diversas marcas premium de saquê. Mas deixo uma dica que vale ouro: assim como nos vinhos, nunca julgue um saquê pela beleza do rótulo”, diverte-se.

Vai bem com o quê?

Vanessa indica três frutas que vão bem com o saquê: lichia, pêssego e melão. Yasmin acrescenta à lista kiwi, morango e abacaxi. No Brasil, ganhou fama de “bebida de mulherzinha” a chamada saqueirinha, versão da caipirinha em que a cachaça é substituída pelo saquê.

É provável que o uso mais comum das versões leves e adocicadas do destilado tenha lhe rendido esta fama. “Degustar o saquê quente ou as versões mais secas da bebida pode agradar ao paladar do mais exigente dos homens, mesmo que prefira bebidas adstringentes”, garante Yasmin. Na composição de coquetéis, ambas indicam o uso de gin, vodka e espumantes leves.

Principais tipos de saquê

1. Namazake – sake sem pasteurização
2. Genshu – sem acréscimo de água para controle de teor alcoólico
3. Nigori – não filtrado
4. Happoushu – gaseificado
5. Honjozo – com acréscimo de álcool etílico
6. Junmai – sem adição de álcool
7. Koshu – envelhecido

Para principiantes

Para quem não tem o hábito de consumir o saquê, Yasmin indica a marca Hakutsuru. “O rótulo oferece uma coleção de dezesseis tipos diferentes de saquê”. A sommelier indica a degustação de cada variedade. É possível que determinados saquês não agradem a todos, principalmente nas versões koshu (envelhecidas). Certamente você já reparou que em restaurantes japoneses no Brasil o saquê vem acompanhado de sal. Isso porque, teoricamente, o destilado tem um gosto adocicado. No entanto, esse hábito—assim como os famosos e deliciosos temakis—não teve origem no Japão.

O 45 Park Lane fica no bairro de Mayfair, em Londres. Famoso pela decoração art déco, o hotel oferece aos hóspedes o ShiniTai—termo japonês usado nas lutas de sumô dado ao lutador perdedor, sem chances de vencer o duelo—experiência exclusiva de desgustação de saquês coordenada por Vanessa Cinti, sommelier de saquê reconhecida pela The Sake Sommellier Association.

O Bar 45 oferece aos hóspedes o Sake Flight, em que três sabores da bebida, juntos, dão origem a um drink sui generis na cena gastronômica londrina. O Flight é composto de saquês de pequenos produtores, escolhidos por sua qualidade, sabor e matriz de estilo. Amabuki Marigold, fabricado com levedura de flores de calêndula seguindo um método tradicional Yamahai; Kirin Vintage 2013, saquê vintage com um rico sabor parecido com xerez; e Masuizumi Junmai Daiginjo, um saquê especial envelhecido em barris de Domaine Ramonet—renomado produtor da região da Borgonha, na França. Todos são servidos a 5 graus.

Os clientes têm a opção de escolher entre uma seleção de saquês exclusivos disponíveis em garrafas tanto no Bar 45 quanto no CUT at 45 Park Lane. Ali, Cinti mostra a notável versatilidade de estilos e harmonização do destilado quando se juntam aos novos pratos com influência asiática do chef David McIntyre’s. Apreciados ao lado de queijos, os rótulos de saquê ganham ainda mais força. “As versões gaseificadas, por exemplo, vão bem com queijo fresco de cabra. Já as envelhecidas, acompanham queijos fortes e curados a base de leite de vaca”, orienta Cinti.

◣ Vanessa Cinti
Saquê sommelier, 45 Park Lane

◣ Bar 45

◀ 45 Park Lane
Endereço: 45 Park Ln, Londres
W1K 1PN, Reino Unido
| Telefone: +44 20 7493 4545 |
Mais informações no site

▼ Com doces incríveis
As criações do confeiteiro Niamh Larkin fazem parte do cardápio do Bar 45 para acompanhar o saquê.

Sake Bomb

Já pensou em juntar saquê e cerveja? Pode soar estranho, mas à parte o paladar, a mistura rende muita diversão. O Sake Bomb é um ritual japonês popular na América do Norte. Consiste em apoiar dois hashis sobre um copo de cerveja e, sobre eles, um copo de saquê. A fila de copos deve ser feita de acordo com o número de pessoas envolvidas na brincadeira. Todos juntos contam até dez em japonês e, num golpe só, retiram os hashis e deixam cair no copo de cerveja o saquê. Numa golada só, os participantes tomam a mistura improvável.

“Degustar o saquê quente ou as versões mais secas da bebida pode agradar ao paladar do mais exigente dos homens, mesmo que prefira bebidas adstringentes”
Yasmin Yonashiro

Saquê Arlequim
Receita indicada por Yasmin, criada por Rodolfo Sousa (Bob)

Ingredientes

• 2 col. (chá) de açúcar
• 1 ramo de 3 cm de alecrim
• Cubos de gelo
• 300 ml de suco de maracujá
• 80 ml saquê do tipo honjozo
(Hakutsuru Josen Suave)
• 1 cereja fresca

Material

• Coqueteleira
• Strainer (peneira de aço, fina)
• Copo long-drink fino tulipa

Modo de Preparo

Coloque na coqueteleira o açúcar e o alecrim. Macere vigorosamente. Acrescente o gelo, o maracujá e o saquê. Bata e coe com o strainer. Prepare a taça com muito gelo quebrado. Espete o ramo de alecrim em uma cereja entre o gelo e sirva o drink por cima.

Conteúdo produzido pela MAGU Comunicação para a Revista Blend, edição #05

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