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Em clima mediterrâneo e a 80 km de Genebra, a Riviera de Montreux é opção segura para quem quer sossego, agitação, cultura ou simplesmente curtir uma paisagem estupenda. O caleidoscópio da região coroa a fama de perfeição dos suíços

Não é à toa que Michael Schumacher, Charles Aznavour e Liz Taylor escolheram a região para morar. Montreux é realmente impressionante, seja pela limpeza das ruas e calçadas—emolduradas por canteiros floridos—seja pela quantidade de atrações culturais e turísticas que oferece aos moradores e visitantes. As fotos que ilustram esta matéria, acreditem, não foram manipuladas. As cores que compõem o cenário são reais! “A região é um oásis na Europa, inserido num microclima sempre quatro ou cinco graus acima da temperatura das cidades ao redor, e dona de uma paisagem única, que mistura montanhas nevadas, o lago e terraços de vinhas”, explica a guia local Corinne Broggi. Aninhado à margem do lago de Genebra entre os alpes franceses e os terraços de Lavaux — vinhedos reconhecidos pela Unesco como patrimônio mundial —, o eixo formado por três cidades, Montreux, Vevey e Lavaux é bálsamo para os olhos e perfeito para entreter.

Historicamente, a região é conhecida por abrigar gênios de diferentes nacionalidades. Charlie Chaplin, após o exílio, escolheu o vale para viver seus últimos dias. Freddie Mercury, Igor Stravinsky, Jean-Jacques Rousseau, Gustave Courbet e Fyodor Dostoievski são algumas das cabeças que passaram por ali. “Rousseau expiava a futura esposa da janela de sua casa, próxima à praça do mercado de Vevey”, conta Broggi. As vocações da região são muitas: sede da Nestlé, oferece estreladas opções de hospedagem, que incluem a célebre Clinique La Prairie, o Grand Hôtel du Lac e o também pitoresco hotel-butique Le Bourg7. Bienvenue!

Vista geral da La Prairie
À esquerda, o spa com restaurante que dá para o gramado. À direita, centro médico e hospital. Ao fundo, a antiga sede, inaugurada em 1931

ˆ▲ Castelo de Chillon
Apenas 15 minutos de caminhada à beira do lago de Genebra separam a fortaleza construída no século 13 do centro de Montreux. Do porão veio a inspiração para o Lord Byron

Lord Byron
Castelo de Chillon (foto ao lado), o mais pitoresco e certamente um dos mais interessantes monumentos da Suíça, ganhou o mundo graças a um poema escrito por Lord Byron em 1816. Inspirado na vida de François Bonivard, o autor concebeu O Prisioneiro de Chillon. O personagem era opositor a Charles III, Duque de Savóia, e foi recluso no calabouço da fortaleza de Montreux. Anos depois, acabou solto graças à conquista do castelo pelos Bernese, após a tomada de Vaud. Tornouse posteriormente burguês em Genebra e escreveu registros históricos da época. O poema de Byron é um suposto lamento de Bonivard durante os anos de prisão. Abaixo, um trecho da obra, traduzido do original.

“Meus cabelos estão brancos,
mas não pela minha idade, nem
ficaram assim repentinamente,
da noite para o dia, como sucede
aos homens angustiados.
Minha fronte está curvada, mas estou
lúcido. Apenas anquilosado pelo vil
sedentarismo que me impõem as
limitações do calabouço. Sou, portanto,
uma daquelas vítimas para quem o ar
livre e as paisagens estão mortas…”

O Prisioneiro de Chillon, Lord Byron, 1816

Em qualquer estação do ano, sobram atrações

Verão
◣ Mundialmente conhecido, o Festival de Jazz de Montreux acontece no mês de junho. A vista de 360o a partir dos Rochers de Naye e o passeio de barco (que pode incluir um ponto a ponto até Lausanne), são passeios ideais para a época.
Mais informações no site

Outono/Primavera
◣ Caminhar às margens do lago de Genebra sob a brisa do outono é um convite para relaxar. Temperaturas amenas são ideais para tratamentos em clínicas e spas. Em setembro, ocorre o Festival de Música de Montreux, no Auditório Stravinski.

Inverno
◣ A Galeria de Artes de Montreux promove, no mês de novembro, exposições e venda da maior compilação de arte contemporânea da Suíça. O Festival de Comédia e o Mercado de Natal são os destaques de dezembro.
Mais informações no site

▲ Visitantes brasileiros podem voar para Genebra com escala em Zurique pela Swiss. Do aeroporto internacional da cidade, o trajeto até Montreux pode ser feito de trem ou táxi. Para hóspedes da Clinique La Prairie, uma limusine faz o transporte até as acomodações do complexo. A viagem de 40 minutos é feita às margens do lago de Genebra, com picos nevados e vinhedos ao fundo

▲ Corinne Broggi (Guia)
Atende grupos e particular. Fala espanhol, alemão, italiano e francês.
Email: corinne.broggi@ gmail.com
|Telefone: 00 41 21943 4162 |

Encantos de Vevey

A cidade de Rousseau abriga o Alimentarium, museu mantido pela Nestlé que conta a história da alimentação humana, o mercado dos artesãos, com a mistura dos perfumes das especiarias e embutidos da região, e o Palácio Relais & Chateau do Grand Hôtel du Lac, construído em 1868 e totalmente restaurado

► Vielas estreitas—que parecem ter saído de uma pintura—, canteiros floridos e letreiros medievais que identificam a vocação do comércio são apenas detalhes do centro histórico da pequena Vevey.
Ideal para um passeio a pé a partir da praça do mercado, a cidade tem como principal referência a estátua de Charlie Chaplin (que ilustra a última página desta edição), em frente ao museu da alimentação.
Hospedar-se numa das recém-remodeladas suítes do Grand Hôtel du Lac seria o suficiente para apaixonar-se pela vila. Mas o menu degustação do restaurante La Veranda, cuidadosamente decorado com estampas florais e afrescos neoclássicos, é espetáculo à parte.
Uma visita acompanhada por guias genuinamente suíços é o segredo para aproveitar cada detalhe da simpática Vevey.

Principais pontos turísticos

A Riviera de Montreux oferece inúmeras atrações. Para quem fará uma passagem rápida pela região, são visitas obrigatórias o Castelo de Chillon, o Auditório Stravinski, o Alimentarium—museu da Nestlé —, a orla de Vevey e os rochedos de Naye

◄ O Castelo de Chillon abriga um museu que preserva mais de mil anos de história. Aberto das 9 h às 19 h no verão e das 10 h às 17 h no inverno.

Chateau de Chillon
Endereço: Avenue de Chillon, 21, 1820 Veytaux/Montreux.
Preço: Srf. 12
| Telefone: 00 41 21966 8910 |
Mais informações no site

◄ Palco de concertos durante o ano todo, o suntuoso Auditório Stravinski abriga o Festival de Jazz, em junho, e o Festival de Música em setembro.

Stravinski Auditorium

Endereço: Grand-Rue 95, 1820, Montreux.
| Telefone: 00 41 21962 2119  ou  00 41 21962 1212|

◄ Alimentarium é um museu mantido pela Nestlé à margem do lago de Genebra. Além da visita ao acervo permanente, que conta a evolução dos hábitos alimentares humanos desde a pré-história, vale uma caminhada à beira da água. Da praça do mercado ao museu, destacam-se a escultura de Charlie Chaplin e o inusitado monumento em forma de garfo, que “flutua”sobre a água. Impressionam os canteiros floridos. Aberto das 10h às 17h (segunda à sexta) e das 10 h às 18 h (sábado e domingo).

Museu da Alimentação
Endereço: Quai Perdonnet, 13, 1800, Vevey. Entrada gratuita
| Telefone: 00 41 21924 4111 |
Mais informações no site

◄ Rochas proeminentes de calcário constituem um dos mais belos pontos de observação da Europa. Os 2.045 metros permitem avistar os alpes e toda Montreux. Bastam 45 minutos a bordo do trem-cremalheira para acessar o cume.

Rochers de Naye
|
Telefone: 00 41 840 245245 |
Mais informações no site

Onde Ficar?

Grand Hôtel du Lac
Endereço: Rue D’Italie, 1, 1800, Vevey
| Telefone: 00 41 21925 0606 |
Mais informações no site

ˆ▲ Todo o renome da rede Relais & Chateaux pode ser testado nesse palácio do fim do século 19. As espaçosas suítes têm vista para o lago de Genebra e alpes franceses. Vale degustar a arraia perfumada com anis e manteiga salgada do restaurante La Veranda, no térreo.

Le Bourg 7
Endereço: Rue du Bourg 7, 1095, Lutry
| Telefone: 00 41 21796 3777 |
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ˆ▲ Casinhas do centro histórico de Lutry, Lavaux, deram origem a charmosos apartamentos. Todos os móveis estão à venda no hotel-conceito butique.

Domaine du Daley
| Telefone: 00 41 2179 1 1594 |
Email: info@daley.ch
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▲ Instalações da vinícola, totalmente remodelada por Marcel e Cyril Severin, atuais proprietários do complexo. O terraço tem vista para o lago de Genebra, emoldurado pelos vinhedos de chasselas, típicos da região

▲ Situado no coração das vinhas de Lavaux, patrimônio mundial da Unesco desde 2007, o Domaine du Daley é uma típica vinícola suíça da região de Montreux. 12 variedades de uvas são cultivadas em 13 hectares num sítio que data de 1392. Documentos comprovam a doação de um vinhedo localizado em Daley por um certo Mistralis Gerard de Fribourg no fim do século 14.

Julian Severin, agricultor que trabalhou nas vinhas desde 1933, foi responsável pela reorganização dos vinhedos, que sofreram mais modificações a partir dessa data que nos quatro séculos precedentes. Drenos e muros de contenção foram criados para vencer a forte erosão causada pelas chuvas nas encostas férteis à beira do lago de Genebra. Cultiva-se, até hoje, as melhores seleções de uvas chasselas e chardonnay—para vinhos brancos—e pinot noir para castas tintas.

A partir da década de 80, outras variedades de vinhas foram implantadas na região, como sauvignon blanc, merlot, cabernet. syrah e garanoir gamaret. Mas a chasselas continua sendo, até hoje, a campeã de produção. Mesmo com novíssimas instalações que preveem o transporte do sumo das uvas sob pressão atmosférica, apenas sob a ação da gravidade, mantém-se o sistema original da cave com barris de carvalho e capacidade total de 50 mil litros.
Desde junho de 2003 o Domaine de Daley está sob o comando de Marcel Severin, filho de Julian, que aos poucos passa o bastão para o filho Cyril. “É emocionante pensar que assumimos o controle da produção que é fruto das vinhas cultivadas por meu avó há quase um século”, conta Cyril. Em plena expansão, a propriedade somou à área original novas vinhas em Epesses e Domaine de Mouniaz, regiões vizinhas. Cyril orgulha-se da produção genuína de chasselas, recém-acrescida de um novo hectare de cultivo das vinhas que são símbolo da região.

A última modernização de instalações ocorreu em 2009, com a construção de dois novos pisos na cave e um terraço para acomodar a colheita a caminho da vinificação por gravidade. Pode-se agendar visitas que incluem um roteiro pela propriedade e degustação das melhores safras. A produção atual é de 80 mil garrafas por ano.

Conteúdo produzido pela MAGU Comunicação para a Revista Ronie VON, edição #4

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