Oriente e Ocidente, juntos, em um só sabor

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Conheça o Camelia, de Thierry Marx, onde o encontro inusitado de ingredientes se traduz em uma cozinha sem precedentes.

Marco Polo não tinha a mínima dimensão do quão revolucionário seria o encontro entre o macarrão chinês e a arte italiana do preparo de alimentos. A fusão brodo (molho) e massa é o talvez mais importante resultado da junção de técnicas do Oriente e Ocidente para a gastronomia. Trazida pelo navegador à Europa, a massa originalmente feita de farinha de arroz teve, no trigo, o apogeu de sua popularidade.

Não é de hoje que o ameizing.com admira o chef Thierry Marx. Duas estrelas Michelin, responsável pela gastronomia impecável e inovadora do Camelia, no Mandarin Oriental de Paris, o chef zen foi entrevistado pelo portal em um bate-papo em São Paulo. Se quiser rever, clique aqui.

Thierry é um mestre. Poderia estar classificado entre outros tantos chefs igualmente consagrados por suas classificações nos guias especializados. Mas há algo único em sua cozinha. A experiência trazida da extensa passagem por Australia, Hong Kong e Japão, combinada ao expertise parisiense do “como fazer”, resulta numa equação digna de nota. A alquimia com a qual trabalha ingredientes e a técnica francesa do preparo têm como produto um menu que consegue equilibrar sabor, autenticidade e plástica.

Visitar o Camelia é indelével. À parte o ambiente cuidadosamente regrado à Mandarin Oriental — o pátio interno é perfeito para um almoço romântico —, a casa de Thierry oferece uma experiência gastronômica de sensações únicas. Comece pela entrada mais pedida: seleção de tomates com burrata e azeite perfumado com baunilha. O nome oficial? Simplesmente: “Les Tomates”. Basta, quando se trata do protagonista da receita. Sortidos, cada um deles parece querer saltar à boca. Desnecessário dizer o quanto cada um deles é único pelo sabor.

É duro avaliar uma cozinha em que a fusão dos ingredientes impede detectar o sabor de cada um deles. Com Thierry, acontece o oposto. Cada um dos elementos usados na composição do prato se destaca visualmente e de forma única no paladar.

Não à toa seu “Le Risoni de Calamar” seja tão requisitado. O prato, que combina numa versão inédita a tinta da lula ao macarrão risone (massa de grano duro em forma de arroz, daí o nome), oferece anéis do próprio molusco somados à crocância dos vegetais (vagens holandesas, salsão e funcho). Textura perfeita. Saboreá-lo corretamente exige cuidado. O chef orienta a pescar cada um dos elementos na mesma garfada. Vale cada movimento com o talher. Mas inusitada é exatamente a mistura improvável dos ingredientes: massa curta condimentada com a tinta da lula, e sobre o falso risoto — que não leva arroz —, anéis de lula acrescidos dos vegetais salteados, quase crus, al dente.

Ah, o final. Grand Finale (vale até o clichê). Após uma refeição leve, sobra espaço para um bom dessert. O Saint-Honoré é quase uma escultura, um sacrilégio quebrá-la. Blasfêmias à parte, deve ser consumido lentamente, acompanhado de uma infusão natural de menta.

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