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Amsterdam é daqueles destinos turísticos que têm bossa. Só de mencionar o nome da cidade, vem à cabeça dos turistas do mundo inteiro a ideia de ser uma cidade liberal em que o sexo é vendido legalmente no Red Light District, assim como a maconha é comprada a cada coffe shop que se encontra pelo caminho. Impossível também é não associar a cidade ao drama de Anne Frank, às bicicletas que circulam por todos os cantos e seus charmosos canais. Mas talvez o ponto alto da cidade seja mesmo o Museu Van Gogh que abriga a maior coleção de trabalhos do artista no planeta: 200 pinturas, 500 desenhos e 800 cartas.
Atualmente 1 milhão e meio de pessoas vêem a Amsterdam todos os anos só para admirar o trabalho do gênio.

Desde que abriu em 1973, o Museu Van Gogh tem visto sua popularidade crescer ano após ano.
O trabalho de Van Gogh impressiona. É  fácil perceber que os visitantes, sem exceção,  param diante de todas as obras, uma por uma, e lêem com atenção as explicações sobre elas. Parece normal, mas quem está acostumado a visitar museus sabe que as obras principais chamam atenção e que as outras passam meio que despercebidas.
A história do museu vale a pena ser contada e a coleção ali exposta tem uma longa história. Originalmente, os trabalhos de Van Gogh pertenciam ao seu irmão mais novo, Theo, que trabalhava como marchand em Paris.
Desde o início de sua carreira, Van Gogh mandava todos eles para o irmão em troca de apoio moral e financeiro.
Enquanto Van Gogh viveu, Theo não conseguiu vender nenhum quadro seu. E quando ele morreu, pouco tempo depois do próprio Van Gogh, a coleção passou para o seu filho, sobrinho do artista, Vincent Willem van Gogh. No entanto quem administrou o acervo foi a cunhada do artista, Johanna. Ela, na verdade foi a responsável por promover o trabalho dele por meio de exibições e venda de algumas de suas peças. Por conta do esforço dela, em pouco tempo, o gênio ganhou reconhecimento internacional ao longo da década de 20. Após sua morte, em 1925, Vincent Willem emprestou a maioria das obras para o Museu Stedelijk, até que na década de 50, encorajado pelo governo holandês, resolveu dar apoio a construção de um museu dedicado exclusivamente ao seu tio.
O interessante do museu, cujo projeto é do arquiteto Gerrit Rietveld (1888 – 1964) famoso pela cadeira Red Blue, é que o visitante vai acompanhando as obras do pintor em ordem cronológica e em um sentido único. Em todas as fases do artista, há a exposição de obras de seus contemporâneos tais quais Monet, Seurat e Pissaro.
Com o passar dos anos e um público cada vez maior, fez-se necessária a construção de uma nova área de exibição. A nova asa foi aberta em 1999 com projeto do japonês Kisho Kurokawa (1934-2007).

Um pouco da história de Van Gogh

CURIOSIDADES:  

  • Vincent pintou vários auto-retratos. Há quem pense que isto era sinal de vaidade. Não era. Ele não tinha dinheiro para pagar modelos e era uma forma de treinar retratos. Muitas de suas telas são pintadas na frente e no verso, pelo mesmo motivo. Falta de dinheiro para comprar material.
  • uma de suas telas mais bonitas, chamada Almond Blossom (ver foto) foi uma homenagem ao nascimento do filho de Theo e seu afilhado, Vincent Willem. Os brotos da amendoeira contra o céu azul era baseado em pinturas japonesas que ele admirava e representava o nascimento de uma nova vida. Seu presente deveria ser pendurado em cima da cama de seu irmão e cunhada. Na lojinha do museu há cópias da obra em tamanho natural impressas em tela ao custo de 25 mil Euros!
  • Sunflowers (ver foto) é um das pinturas mais famosas do artista. Um verdadeira sinfonia de azuis e amarelos, foi feita para impressionar Gauguin. E o quadro envolvido por uma moldura singela de madeira pintada de vermelho decorou o quarto do amigo por um bom tempo.
  • Van Gogh considerou Sunflowers um sucesso e declarou que este quadro poderia ser considerado sua marca registrada e isto em 1889, quando a ciência do marketing ainda nem existia.
  • Um de seus quadros mais famosos, The bedroom (ver foto) em que pinta o seu próprio quarto tem um efeito tridimensional. Vincent pintou o interior do quarto de uma forma plana e excluiu as sombras para que seu trabalho parecesse uma pintura japonesa.
  • Centenas de médicos e psiquiatras tentaram definir as condições médicas e emocionais de Van Gogh.  Ele sofria de convulsões, provavelmente causada por epilepsia do lobo temporal. Tendo nascido com uma lesão cerebral, sua condição epiléptica foi agravada pelo seu uso prolongado de absinto. Dr. Gachet, um de seus médicos, tratou de sua epilepsia com digitálicos. Esta droga pode causar xantopsia, tendência para ver em amarelo ou ver manchas amarelas. Este pode ter sido uma das razões por que Van Gogh adorava esta cor.
  • Hoje Van Gogh seria diagnosticado com transtorno bi-polar, pois oscilava entre fases em que produzia freneticamente  e outras onde era invadido por uma depressão terrível.
  • O famoso episódio em que cortou a própria orelha com uma navalha ocorreu durante uma briga com Gauguin em que teve um acesso de fúria. Van Gogh tinha uma frustração terrível por não conseguir levar adiante um projeto pessoal de criar uma comunidade de artistas em Arles, França.
  • A última carta que escreveu ao irmão é datada do mesmo dia em que atirou contra seu próprio peito. Nela não mencionava sua depressão e pedia ao irmão que comprasse mais material para suas futuras obras. Rascunhos de suas novas criações estavam desenhados na carta. Dois dias depois morreu nos braços de Theo.
  • Nunca ganhou dinheiro em vida. Theo jamais conseguiu vender seus quadros. Há quem diga hoje que tinha uma relação de apego com as obras.
  • Theo morre cinco meses após a morte de Van Gogh.

VAN GOGH MUSEUM: o museu abre todos os dias das 10h00 às 18h00 (exceto primeiro de janeiro). Às sextas-feiras fica aberto até às 22h00. Como as filas para a compra de ingressos é grande, melhor comprá-los com antecedência pela internet no www.vangoghmuseum.com | Paulus Potterstraat 7 | 31 (0) 20 570 52 00

EM 10 ANOS, UMA OBRA COMPLETA

Vincent van Gogh nasceu em 30 de março de 1853 em Zundert, um vilarejo na Holanda. Era o filho mais velho do reverendo Theodorus van Gogh. Tinha três imãs e dois irmãos. Pouco se sabe sobre sua infância ou se já mostrava alguma aptidão para a arte.
Aos 16 anos foi trabalhar numa galeria de marchands franceses, Goupil & Co, na qual, mais tarde seu irmão Theo, quatro anos mais novo que ele, iria trabalhar também. O tio dos irmãos van Gogh era sócio da empresa.
Em 1873, a firma transferiu Vincent para Londres  e dois anos mais tarde para Paris, onde ele perdeu todo o interesse pelo ramo em que trabalhava. Não queria mais negociar obras de arte. Virou-se para a religião e voltou para a Holanda para seguir os passos do pai e tornar-se pastor. Apesar de seu fanatismo religioso, Vincent ainda não tinha acertado a sua vocação. Abandonou os estudos mudou-se para uma região de minas no sul da Bélgica, onde se identificou profundamente com os mineiros e suas famílias. Nesta altura da vida, resolveu seguir os conselhos de Theo e virar artista, mas nem de longe imaginava ter os incríveis dons artísticos que tinha.
Em um primeiro momento não queria representar nenhum movimento, apenas expressar sentimentos sinceros de um ser humano.
Seus pais foram contra esta escolha e deixaram de apoiá-lo financeiramente, passando a responsabilidade para Theo.
O início de sua carreira como artista foi de auto-didata.

 

E além de Van Gogh

Além de Van Gogh, bem pertinho de suas obras, Amsterdam tem muito mais arte para ser vista. Mais dois museus são também destaques da cidade: o Rijksmuseum, um dos mais importantes, apresenta obras de Rembrandt e Vermeer (pintor do famoso quadro Moça com brinco de pérola) e o Stedelijk Museum, voltado para a arte moderna, design e arte contemporânea.

E é bem nesta região central, que se encontra um grande parque, onde as pessoas passeiam e praticam esporte. Bem atrás do Rijksmuseum pode-se pegar um barco que faz um grande percurso pelos canais da cidade e possibilita o turista descer em vários pontos da cidade e depois retornar ao barco (Canal Bus Daypass).

É uma boa opção para chegar a famosa casa onde Anne Frank ficou escondida dos nazistas. As filas são gigantescas. Após o sucesso do filme A Culpa é das Estrelas, a invasão de adolescentes é notável. A Casa de Anne Frank não vende ingresso antecipado. Então, se quiser mesmo conhecer, chegue cedo.

Bem na região da Casa de Anne Frank há muitas lojinhas e cafés interessantes. Amsterdam, assim como Paris, é uma cidade que convida o turista a passear calmamente por entre suas ruas planas. O povo holandês é muito simpático e solícito. Há quem diga que são alemães de bom humor. Brincadeiras à parte, são considerados um dos povos mais bonitos do mundo. Então vale a pena observá-los.

A bicicleta é uma unanimidade na cidade que é cercada de ciclovias por todas as partes. Como pedestre e turista a atenção tem de ser dobrada ao atravessar a rua, pois as bicicletas passam muito rápido e aparecem aos montes. Assim, evita-se um acidente.

Chova ou faça sol, velhos, moças, homens, crianças. Todos pedalam. E que lindas são as bicicletas!

Muitos turistas alugam bicicletas, o que é uma opção interessante. Mas, novamente, todo o cuidado é pouco. E o perigo maior neste caso são os bondes que têm preferência sob os outros veículos da cidade.

Ainda voltando ao passeio de barco é possível descer bem pertinho do Red Light District, local onde as prostitutas (todas legalizadas) se expõem atrás de portas e janelas de vidro e convidam seus clientes para um programa, assim, à luz do sol.
Mas para quem espera ver as beldades holandesas expostas naquelas janelas, a surpresa pode ser bem desagradável. As moças são em sua grande maioria feias e desajeitadas, quase que nada sexy.  O que causa até um certo desconforto. Nunca tire foto delas. É proibido e pode causar problemas, já que o bairro é ostensivamente vigiado pela polícia, inclusive a montada. De noite, ganha mais vida. Por lá vende-se de tudo o que se possa imaginar em termos de acessórios para aumentar o prazer na hora do sexo, além de maconha em vários Coffe Shops. Marinheiros são ainda a grande clientela local, mas a grande quantidade de adolescentes bêbados que se cruza pelo caminho também chama a atenção. Enfim, como ponto turístico vale a pena visitar. Preferencialmente em grupo. Bêbados em sua grande maioria tendem a ser inconvenientes. E, se conseguir, com tanto apelo visual, repare nas fachadas dos prédios. As construções são datadas do século XIV e são lindas.

Algo que chama muita atenção em Amsterdam é como tudo, em geral, é aceito. São uma sociedade mais aberta, menos hipócrita.

Os barcos são uma atração à parte. Navegam pelos canais verdadeiras pérolas. Preste atenção ao requinte dos antigos  envernizados. Os donos, moradores da cidade, passeiam pelos canais nos finais de semana e fazem churrasco no próprio barco. Na beira dos canais, em tempos de calor, é possível ver muito dos habitantes da cidade jogando cartas ou admirando a vista nos bancos dos parques. Uma cidade que convida o morador e o turista a aproveitá-la.

E quando bater aquela fominha, fique seguro, porque a cidade oferece ótimas opções. Muitas delas envolvem comida natural com ingredientes orgânicos. Uma tendência que se percebe a cada esquina.

Voltando a região dos museus, há uma boa dica. Trata-se do Sea Food Bar. O restaurante é clean, lembra um pouco o jeito do Spot em São Paulo e tem uma comida excelente, bem fresquinha e uma frequência bem descolada. Além de, claro, excelentes vinhos. Vale a pena conhecer.

Bem perto dali, quase em frente ao Museu Van Gogh encontra-se um dos hotéis mais chiques da cidade. O Conservatorium Hotel. O prédio, todo reformado e high tech era o antigo conservatório da cidade. Daí a origem do seu nome. Parte da cadeia do The Leading Hotels of the World, ele oferece um atendimento primoroso, principalmente no que diz respeito ao serviço de conciergerie.

E, não se espante se depois de andar muito pela cidade der de cara com o Brazuca, um restaurante de esquina. Pão de queijo e açaí na tigela, além de deliciosos sucos naturais são a pedida por ali. E, que ninguém nos ouça, o pão de queijo com ingredientes locais não faz feio para o de Minas não.

CONSERVATORIUM HOTEL (FOTO AO LADO)

Quase em frente ao Museu Van Gogh encontra-se um dos hotéis mais chiques da cidade. O Conservatorium Hotel. O prédio, todo reformado e high tech era o antigo conservatório da cidade. Daí a origem do seu nome. Parte da cadeia do The Leading Hotels of the World, ele oferece um atendimento primoroso, principalmente no que diz respeito ao serviço de conciergerie.

ONDE:  VAN BAERLESTRAAT 27, 1071 | AMSTERDAM | +31 (0) 20 570 0000 | www.conservatoriumhotel.com

RIJKSMUSEUM (FOTO ABAIXO)

A Ronda Noturna (The Night Watch) é um dos quadros mais famosos de Rembrandt e uma das maiores atracões do museu.
Um dos principais nomes do barroco, Rembrandt trabalhava a técnica do claro e escuro com maestria. Dava destaque as imagens que ficavam mais à frente na tela e ia tirando a definição daquelas que ficavam mais ao fundo. Com isso conseguia um efeito fantástico. O quadro parece que acende e mesmo visto de longe parece ter luz própria.

ONDE:  Museumstraat 1, 1071 | Amsterdam|+31 (0) 900 0745 | www.rijksmuseum.nl

 

RESTAURANT ZAZA’S

Há em Amsterdam um restaurante que vale a pena ser visitado. Trata-se do Zaza’s. É um local pequeninho, bem cozy onde o atendimento é excelente e a comida idem. Como entrada, vale a pena conferir o Tuna Tempura e ostras. Como prato principal, Jumbo Prawns in Kataifi. E para a sobremesa, Brioche Bread and Butter Pudding (parece um pudim de pão com calda de caramelo). Por ser pequeno e frequentado pelos próprios holandeses, é preciso reservar antes. Os valores são super razoáveis para a qualidade dos pratos.

ONDE: Daniel Stalpertstraat 103 |Amsterdam
TELEFONE + 31 (0) 206736333
EMAIL: e.info@zazas.nl

 

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