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Foi-se o tempo em que os hotéis eram apenas um lugar para as pessoas descansarem. Hoje, para atrair os hóspedes, cada vez mais exigentes, vale tudo. Até mesmo apostar em um acervo milionário, digno de museu.

Sem dúvida alguma, o The Dolder Grand é um dos melhores hotéis da Suíça. Situado no alto de uma colina, cercado de verde, distante apenas 10 minutos do centro de Zurique — bem pertinho da FIFA e do zoológico local —, foi reaberto em 2008, após uma reforma milionária que durou quatro anos. Talvez, a renovação pela qual passou tenha sido um dos projetos mais ambiciosos da história da hotelaria do país. Os arquitetos britânicos Foster and Partners foram os responsáveis por mesclar o histórico prédio à arquitetura moderna, sem perder o charme genuíno do lugar.

No projeto de renovação e ampliação, combinaram harmonicamente a histórica construção de 1899, que lembra um castelo, com a moderna arquitetura orgânica dos dois novos prédios denominados wings (asas). Os três edifícios organicamente interligados são uma fusão entre passado e futuro.

Mas, com certeza, o que chama mais atenção em relação ao The Dolder Grand é a quantidade de obras de arte expostas em suas dependências. São 124 de 90 artistas mundialmente renomados, que fazem do hotel uma verdadeira galeria de arte ou um acervo de museu privado dos bons.

Logo na recepção há o quadro Big Retrospective Painting, do artista pop Andy Warhol, de 11 metros de largura. Fernando Botero, Salvador Dalí, Joan Miró, René Magritte, Henry Moore, Camille Pissarro (cofundador do movimento impressionista) e, entre muitos outros artistas, o indiano Anish Kapoor são alguns nomes de peso encontrados por ali.

É tanta obra de arte que o hotel empresta um tablet para que os hóspedes possam  ser guiados ao longo da enorme coleção.

A maior parte delas é exposta em áreas públicas. Porém, algumas são vistas apenas pelos hóspedes de um determinado andar quando estão indo ou saindo de seus quartos.

Mas não são só as obras de arte que impressionam por lá. O The Restaurant, autêntico e inovador representante da alta gastronomia suíça, possui duas estrelas Michelin e 18 pontos no Gault Millau, o mais renomado guia francês de restaurantes. Mais informal, porém igualmente convidativo, o Garden Restaurant serve o café da manhã e rápidas refeições típicas.

E não precisa ser hóspede para ter acesso às obras de arte e à gastronomia de alta qualidade. O brunch dos finais de semana no The Dolder Grand é conhecido por todos os habitantes da cidade e seus visitantes. Vale a pena conferir, mas tem de reservar antes, pois é disputadíssimo.

The DolderZurique, Suíça

Salvador Dalí

Henry Moore

Camille Pissaro

The Surrey, Nova Iorque

Chuck Close

ARTE MODERNA

Do outro lado do Atlântico, mais precisamente em Nova York, há um hotel que, apesar de toda a sua discrição, chama a atenção pela frequência de hóspedes ilustres tais como Bill e Hillary Clinton. Trata-se do The Surrey, situado num luxuoso prédio na Upper East Side construído em 1926, distante um quarteirão do Central Park.

“O hotel prima pela elegância. Tem todo o conforto de um grande hotel, mas ao mesmo tempo é personalizado. O hóspede se sente em casa”, conta Lorena Ringoot, a super concierge local, nascida no Brasil, que já foi eleita a melhor de Nova York, em entrevista exclusiva para a  . Segundo ela, a ideia do designer que redecorou o The Surrey foi fazer com que o hóspede se sentisse como se tivesse herdado a casa ou, como se diz por lá, a townhouse  da avó. “Temos tudo que os grandes hotéis têm. As melhores e mais luxuosas camas de Nova York — as famosas Duxiana’s bed —, robes da marca Patresi e amenities Mitchell and Peach. Nossos banheiros são cópias de banheiros clássicos, porém são supermodernos”, conta ela. Tudo ali é feito para agradar ao hóspede. O atendimento impecável, somado a decoração em tons monocromáticos e arranjos de rosas brancas, torna o local sofisticado, nada afetado.

Assim como o The Dolder Grande, em Zurique,  o The Surrey chama atenção pela grande quantidade de obras de arte espalhadas em suas dependências. Das 30 expostas, a mais famosa é a Kate Moss tapestry feita pelo artista Chuck Close (2007). “É sem dúvida a obra mais comentada pelos hóspedes ou por aqueles que frequentam o hotel”, diz Lorena. “Até os entregadores de pizza querem dar a sua opinião”, revela.

A tapeçaria é uma das obras de arte preferidas dela também, assim como  o quadro You are My Own (1996), de Jenny Holzer, que, para sua sorte, fica bem em frente à concierge desk, e o quadro de Donald Sultan, Smoke Rings Suite of 4 (2001), que fica no bar do hotel. “A sensualidade e o efêmero da fumaça são encantadores. Perfeito para um bar com o estilo dos anos 20”, explica.

Lorena conta que, embora as obras sejam muito valiosas e tenham consumido a maior parte do investimento de 60 milhões de dólares da reforma, raros foram até hoje os acidentes com elas. “Certa vez quebraram a moldura de uma e tive o privilégio, nessa ocasião, de acompanhar a sua restauração. Trabalho impecável”, relembra. A curadoria das peças de arte têm a assinatura de Lauren Rottet. A toada é misturar o tradicional do Upper East Side com o moderno, sem perder o calor do ar doméstico. E como excelente concierge que é, Lorena não poderia terminar a entrevista sem indicar atrações imperdíveis no campo das artes na Big Apple.

Jenny Holzer

Richard Sierra

Armoire Grafitti Um dos destaques da coleção do The Surrey é a peça da marca londrina de móveis de luxo Jimmie Martin, pintada à mão pela dupla de designers que dá nome à grife.

Conteúdo produzido pela Magu Comunicação Integrada para a revista BLEND, do salão Blend Your Mind.

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