Ilhas Maurício: Azul da cor do mar

Chorao

Entre os destinos de praia mais desejados do mundo estão as ilhas Maurício, no Oceano Índico. Chegar lá não é fácil. O local é longe e, do Brasil, leva-se ao todo 12 horas de voo para ir e 14 horas para voltar via África do Sul. Mas o esforço é altamente compensador. O mar azul — tom para lá de Caribe — e a areia branquinha chamam a atenção desde o momento em que o avião se aproxima da costa. No entanto, depois de alguns dias no país, a delicadeza dos mauricianos torna-se uma das maiores atrações da ilha para quem a visita.

E para entender sobre o povo da ilha, é preciso conhecer um pouco da sua história. As ilhas Maurício foram descobertas no ano de 1505 pelos portugueses. Junto com elas foram desbravadas também as ilhas Reunião e Rodrigues que, somadas, formam as ilhas Mascarenhas, um arquipélago criado há milhões de anos por uma série de erupções vulcânicas. Hoje Maurício não possui nenhum vulcão ativo, embora seja possível visitar uma de suas crateras, já coberta por vegetação local. Por lá o clima é tropical, porém bem mais fresco do que a Bahia ou mesmo o Rio de Janeiro no verão. A temperatura oscila entre 21 e 32 graus. E assim como em muitos estados do Brasil, o inverno é seco e o verão chuvoso. Sua capital é Port Louis, a maior cidade do país. Quando os portugueses chegaram à ilha, ao contrário do Brasil, não havia nativos no local. O local era habitado apenas pelo dodô, um pássaro desajeitado parecido com um pelicano que não podia voar. Em 1638, os holandeses conquistaram o território e trouxeram escravos para cortar o ébano abundante à época na ilha. Além de povoarem a região, passaram a caçar o pássaro símbolo da ilha que, sem poder voar, virou uma presa fácil e rapidamente foi extinto. Apenas nas ilhas Maurício existiu este animal. Daí o dodô ser o símbolo local. Maurício tem este nome em homenagem ao príncipe holandês Maurício de Nassau. Depois dos holandeses, foi a vez dos franceses ocuparem a ilha. Em 1715 trocaram o nome do local para Île de France. Ficaram por um bom tempo por lá e deixaram muitas influências na cultura e gastronomia local. Após quase cem anos, em 1814, os britânicos tomaram posse da ilha e devolveram seu nome original. Foi só em 1968 que a ilha se tornou independente do Império Britânico. Hoje Maurício possui um governo democrático parlamentar (onde o presidente é o chefe de Estado e o primeiro ministro o chefe do governo) estável com eleições regulares, o que atraiu muitos investimentos estrangeiros. Tem uma das maiores rendas per capita da África. Todas estas colonizações explicam muito sobre a delicadeza do povo local. O povo de Maurício é desde a sua origem uma grande mistura de raças e culturas. A grande maioria do mauricianos, que hoje são mais de 1 milhão e 300 mil habitantes, são de origem hindu (quase 68%), o restante do povo tem ascendência europeia, africana, chinesa e malgaxe (de Madagascar). Em muitos momentos têm-se a impressão de que se está na Índia. A religião predominante, como não poderia deixar de ser, é o hinduísmo que convive harmonicamente com o cristianismo, o islamismo, entre outras religiões. Por lá parece que todos convivem em paz respeitando suas diferenças. São uma sociedade altamente desenvolvida emocionalmente. São cooperativos. Se fazem uma celebração mulçumana e o vizinho é indiano, não cozinham carne em respeito às crenças de que a vaca é sagrada. Andando pelas ruas do país (coisa que demora um tempo para quem vem do Brasil continental se acostumar com a ideia de que a ilha é um país), além da cana de açúcar, encontramos um país agrícola, que planta muito. Todo o lugar tem plantação. E, mais uma vez eles se cotizam, dividem, somam. Se um vizinho planta couve e o outro cebola, eles trocam seus produtos para que todos tenha acesso à tudo.

Há uma certa ingenuidade por lá. Uma coisa que toca a gente. Na sua maioria os mauricianos são de origem modesta e têm renda baixa. Por causa disso, a maioria deles nunca saiu do país por falta de condições financeiras. Mas também não sentem falta. O consumo do ocidente ao qual estamos acostumados, não existe por lá. As pessoas gastam dinheiro com coisas mais básicas, como alimentação e saúde. Não há este apelo de consumo e isso, mais uma vez, faz do local uma volta ao passado. Como se visitássemos o sul da Bahia há 40 anos. Bonito de ver. Nos faz até questionar a forma como vivemos nos grandes centros e se ela é de fato válida. Tecidos de algodão e linho, além de cashmeres são produzidos por lá e têm excelente qualidade a preços convidativos. Não fecham as portas das casas, não têm medo da violência. O local é uma grande comunidade. Lá, todos são felizes, educados. Têm alma fina. Só para se ter uma ideia, os oficiais que trabalham na alfândega são simpáticos. Até mesmo aqueles que ficam com a incumbência de passar a mala de mão no raio X sorriem para o turista, enquanto em países desenvolvidos como os Estados Unidos, passar na alfândega é sempre um momento de tensão. Por conta da maioria dos moradores da  da ilha seguirem o hinduísmo, foi construído um templo em que reproduziram a imagem de Shiva, maior deus hindu numa altura de 33 metros. Todos os anos, 1 milhão de pessoas faz peregrinação para ir a pé até o templo para pegar água de lá e levar de volta para as suas casas com o intuito de purificar o ambiente. Neste momento uma segunda estátua gigante está sendo construída ao lado da primeira. É a de Durga Maa. Desde a independência no final dos anos 1960, a economia de Maurício que era apenas baseada na agricultura de baixa renda tornou-se diversificada e cresceu nos setor industriais, financeiros e turístico. O crescimento econômico anual chega a ser de até 6% ao ano. E isso refletiu-se em uma distribuição de renda mais justa entre os seus habitantes. E como consequência, resultou no aumento da expectativa de vida e do declínio da mortalidade infantil, além de notável melhora na infraestrutura do País. O tamanho e organização do aeroporto evidencia o crescimento econômico local. Mais de 1 milhão de turistas chegam à ilha todos os anos. Maurício recebe quase a totalidade de sua população local de turistas. São três as línguas oficias de Maurício: inglês, francês e crioulo. A última foi criada pelos escravos do passado que misturavam o francês com palavras inventadas para que seus donos não conseguisse entendê-los. Talvez a miscigenação de raças seja o ponto alto da ilha. A mão inglesa dos carros é herança dos ingleses, o francês, mais usado do que as outras línguas, é herança da França e há um certo ar pirata nos habitantes. Os marinheiros usam brincos nas duas orelhas, o que faz lembrar os holandeses. E o curry? É como estar na índia! Destino lindo, alegre que faz você repensar sua vida. Não à toa, o local preferido pelos recém-casados que, junto com os mauricianos tornam a ilha mais alegre ainda.

The Residence Mauritius

Situado no lado leste da ilha, em Belle Mare, uma das melhores praias locais, The Residence Mauritius foi aberto em 1998 e é um hotel — de gosto muito refinado sem ser ostensivo — que recria a atmosfera local dos anos 1920. Bem de frente para a praia, ele tem como centro de suas acomodações a piscina que agrega todas as áreas. Os restaurantes (são três: Dining Room de cozinha sofisticada, The Verandah – refeições leves, The Plantation – variedade de frutos do mar), os quartos e o SPA, situam-se todos em volta da piscina que fica de frente para o mar. A arquitetura do hotel é baseada na arquitetura da Maurício colonial. É clássica, com pés direitos alto, todavia apresenta toques modernos. Ao todo, o hotel  oferece 163 quartos (que vão de 54 a 164 metros quadrados)  sendo 135 standard e 28 suites premium. Em todas as categorias há um buttler (mordomo) que está ali para tornar a estadia do hotel algo inesquecível. Eles desarrumam e arrumam a mala do visitante e preparam um banho com espuma relaxante digno de divas de cinema. Todos as reservas incluem meia pensão. Ou seja, o café da manhã e o almoço ou jantar já estão incluídos na diária. Aliás o café da manhã é uma atração à parte porque tem um serviço excelente. Todos os funcionários são muito atenciosos e a mesa é farta. Destaque para os sucos frescos, como o de maçã, por exemplo, feitos na hora; as frutas, queijos, panquecas e waffles. Tudo fresco e farto. O SPA que ocupa uma área de 850 metros quadrados, é outro ponto forte do hotel. Ao todo, The Residence Mauritius oferece 11 salas para tratamento, além da sauna. Os tratamentos são feitos sob medida para a necessidade de cada hóspede. Há também tratamentos de beleza que utilizam sempre produtos da marca top francesa Carita. Vale indicar um dos massagistas do local. Jessen Lingiah é, além de massagista, fisioterapeuta. Sua massagem é inesquecível. Não à toa o hotel é procurado prioritariamente por casais em lua-de-mel e casais que festejam bodas-de-prata. Apesar de ser grande, está muito bem espalhado pela praia e, a não ser nos horários das refeições, é raro cruzar com muita gente, mesmo estando o hotel lotado. É um lugar muito convidativo para a contemplação por conta da tamanha beleza que a natureza propicia. Mas as famílias são bem-vindas também. Há um clube para crianças chamado The Planters Kids Club com muitas atividades. O bacana é que não têm jogos eletrônicos por lá. Pebolim é uma das atrações. Os monitores se esforçam para distrair as crianças com brincadeiras mais tradicionais e no final elas se divertem muito e seus pais podem curtir um pouco a ilha como o casal que foram no início de suas vidas. E para aqueles que não gostam de ficar apenas contemplando? Há várias atividades como snorkling (dentro da área cercada pelos corais que protegem a ilha), tênis, cavalgadas, vôlei, academia, kitesurfing, entre outros. Uma das marcas registradas do hotel é o perfume de uma planta originária da Ásia chamada Ylang Ylang, que desde o século XVII veio se espalhando pela ilha.

The Residence Mauritius
Coasted Road, Belle Mare | Mauritius
Tel (230) 401 8888 | email info-mauritius@theresidence.com

Rhumerie de Chamarel

Chamarel é uma das raras destilarias que cultivam sua própria cana de forma orgânica. No local é possível fazer um visita guiada para entender como funciona o processo de fabricação do rum, famosos em toda a região. A região é linda e tem um restaurante sofisticado, além de uma boa loja que vende rum obviamente, chá e essência de baunilha, outras especialidade de Maurício. Vale a pena conhecer!

The Rhumerie de Chamarel
Royal Road Chamarel, Mauritius
Tel (230) 4834980 | email info@rhumeriedechamarel.com

Cachoeira de Chamarel

A cachoeira de Chamarel, queda d’água de cerca 100 metros de altura alimentada pelo rio Saint-Denis é um dos destaques da ilha e fica bem próxima da Terres de Couleurs de Chamarel. As duas atrações estão situadas dentro de um parque privado cercado de verde. Ali encontram-se as paisagens verdes mais interessantes da ilha.

Terres de Couleurs de Chamarel

Os solos coloridos de Chamarel é um impressionante cenário formado por pequenos morros pintados, naturalmente, em tons de azul, verde, vermelho e amarelo. Acredita-se que essas cores tenham sido resultado do processo de erosão da cinzas vulcânicas geradas há milhares de anos. Logo em frente a este cenário inusitado, é possível observar tartarugas gigantes de Seychelles. Para mais informações: Societé de la Fleche (Chamarel), tel. (230) 483-8298

Grand Bassin

Um dos locais mais sagrados das Ilhas Maurício é o Ganga Talao, também conhecido como Grand Bassin, região onde há um lago formado por uma cratera, que fica na região de Savanne. É neste local onde há o principal templo hindu da ilha e a estátua gigante de Shiva. Uma vez por ano, peregrinos de todos os cantos da ilha vêm a pé visitar o templo, mesmo que leve três dias de caminhada para serem abençoados e levarem a água sagrada do local para as suas casas.

As costa local é um verdadeiro paraíso. Maurício é toda cercada por uma barreira de corais e isto faz com que as praias não sejam de onda e tenham um grande recuo de águas rasas (até no máximo uns 5 metros de profundidade). Daí a cor azul turquesa ou azul claro ser tão evidente. A areia branca é uma atração à parte. A foto acima é da Île aux Cerfs onde o turista chega em um passeio feito com catamarã.

Contraste entre o azul e o verde.

Nós aqui no Brasil estamos acostumados com o mar mais voltado para a cor verde e por isso que ficamos tão impressionados com a cor das águas de Maurício, Tahiti e Bahamas. Em Maurício o contraste das águas mais rasas (azul mais claro) e a água azul e verde-escura que estão após os corais fazem da ilha este destino tão procurado. A paisagem é de rara beleza. É possível sempre ver o fundo do mar. Nas águas protegidas pelos corais não há peixes grandes, mas há uma criatura meio estranha que se parece com uma cobra marinha. Na verdade eles dizem que é um animal chamado de one hundred meter que serve para filtrar o mar. E olha, não à toa o mar é tão transparente, pois há milhares deles por lá.

Muitas atrações

Maurício, como toda ilha, esconde mistérios e atrações para quem não a conhece. Por isso é sempre bom andar acompanhado de um guia turístico local. Fora a beleza das praias e da natureza exuberante, que são uma excelente opção de lazer, a ilha tem um monte de programas para se fazer. O período colonial deixou legados: Os Jardins Botânicos de Pamplemousses abrigam uma coleção diversificada e inusitada de plantas. É possível visitar também uma fábrica que tem um museu sobre a produção de chá (um dos produtos tradicionais do local), onde é possível degustar a bebida milenar. É possível aproximar-se de golfinhos em cima de uma catamarã e até fazer snorkling no meio deles. Como o sol nasce e se pões no mar, outro destaque é sair de barco para ver o sol se por. Uma paisagem inusitada para os brasileiros. É possível ainda pescar em alto mar, passear em seakarting (uma espécie de jet-ski) e fazer caminhadas pelas matas locais. Em Casela, no lado oeste da ilha, há uma reserva de vida selvagem que ocupa 14 hectares e tem grande variedade de animais e pássaros. O maior destaque deste parque é a possibilidade de andar lado a lado com felinos com leões e guepardos. Tudo com total segurança. Coisas para fazer é o que não falta em Maurício. Há mais de 40 anos atuando na ilha, White Sand Tours tem guias que falam português.

Como chegar lá

O caminho mais curto para se chegar a Maurício é via Johanesburgo pela South African Airways. São 10 voos semanais, sendo 7 diários saindo às 18h30 de  São Paulo com apenas uma escala e depois segue diretamente para Maurício.

Importante: para viajar para Maurício é preciso estar com a vacinação contra febre amarela em dia. Além do passaporte, o turista deve apresentar o certificado internacional de vacina contra febre amarela que é obtido no site da ANVISA. Sem isso, não há embarque já aqui no Brasil. 

Marília Muylaert, jornalista, viajou a convite de X-mart, South African Airways e The Mauritius Residence.

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