Morando em Lisboa

Por 28 de outubro de 2015 Blogs Nenhum comentário
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No começo do ano recebi um convite para passar uma temporada no Instituto Carpe Diem de Arte e Pesquisa em Lisboa para uma residência artística. Uma intenção para melhorar o meu trabalho, sair da rotina e poder olhar para novos horizontes, além de respirar novos ares e sentir qual impacto isso poderia ter em minha arte.
Não hesitei e desde outubro estou morando em Lisboa. Difícil descrever esta cidade sem mencionar as coisas mais básicas, os belos nomes de rua, a poesia por toda a parte, a luz, o entardecer e a comida!
Venho sentindo ao longo desses dias a sensação de me conhecer melhor e experimentar novas técnicas sem a preocupação do resultado final, além da angústia do desconhecido, a angústia de não saber o que fazer. Mas é justamente a partir dela que descubro que o que já faço pode ser tornar ainda mais rico.
Com a mudança do dia a dia, das situações novas de convívio, dos cheiros novos, das novas cores, pude entender a importância de ter um posicionamento cara a cara com a produção. O lucro que é errar, fazer e refazer, pensar diariamente sobre um tema, deixar de lado o que deu certo e partir para um novo assunto. Explorar ideias, me disponibilizar em ver tudo o que a cidade me oferece, tanto do ponto de vista artístico, como social.
Se pinto o colorido, estou testando a não cor, se é confortável formas orgânicas começo a entender o geométrico. Comprei cadernos, folhas de diferentes gramaturas, pincéis de outros tipos, um papel alumínio, tesoura, grafite e pastel. Uma fita cola para me orientar, coleciono todos os panfletos de exposições, leio cada descrição de cada motivo dos trabalhos.
Tenho estudado alguns poetas clássicos portugueses e me interessado pelas expressões das senhoras. Tenho agarrado cada oportunidade que me oferecem, valorizando cada gesto de cada pessoa e o que elas têm a me oferecer, e as que não oferecem, penso: “O que elas podem estar me ensinando com esta atitude?”
O meu trabalho lida com sentimento. Portanto, cada dor, decepção, alegria ou conquista reflete em uma força de expressão. Cada dia que passa nesse novo universo paralelo tenho me conhecido mais e mais, aceitando meus erros, descobrindo meu potencial, me abrindo para o novo, me desafiando a estar em contato comigo para que o resultado apareça, transborde, aconteça!
Gosto de andar sozinha pela cidade, de tirar fotos como registros pictóricos, de jogar capoeira e beber uma mini Sagres depois de ir ao mercado e comprar latinhas de atum. Gosto de receber pessoas no meu ateliê e saber do impacto que elas tiveram ao ver meu trabalho. Gosto de me entusiasmar com os projetos que estão surgindo para mim, de conhecer pessoas novas a cada semana e me pegar falando já com um certo sotaque. De descobrir que alguns amigos são primos e que tenho sangue tuga por todos os lados, de surgirem viagens instantâneas para pequenas vilas, de comer o queijo da serra quando eu quiser, de saber que existem pessoas que não têm nada a ver comigo, mas que existem outras que são diferentes mas tem tudo a ver! De olhar de longe para minha vida carioca e perceber com o tempo, tudo que vai ficar e tudo que vai embora, de aceitar mudar e gostar disso. De saber que tem dias que eu quero ficar sozinha e outros que quero muita gente e que isso é normal.

Poder sair da zona de conforto é isso, se permitir crescer, cuidar, evoluir e conhecer tudo que a vida tem e saber que você pode ser quem você é em qualquer lugar do mundo pois a maior mudança é dentro no inconsciente.

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