O Jardim secreto de Rodin

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O museu Rodin abriga um dos jardins mais elegantes e amigáveis para crianças de Paris. A grama é verde e perfeitamente aparada. As crianças podem desfrutar do jardim espaçoso e seguro enquanto são mergulhadas — cada uma ao seu tempo – num banho de cultura. É muito relaxante poder deixar as crianças livres sem ter de nos preocupar com os carros nas ruas. Elas podem andar livremente pelo jardim que era considerado um dos mais belos do século XVIII.

Uma visita ao Museu Rodin é uma boa forma de abraçar a arte em formas e formatos diferentes. Assim que você entra no jardim do museu, tem a sensação de ter deixado a cidade para trás. É transportado para um paraíso de beleza.

Você pode ensinar para os seus filhos sobre esculturas, como se comportar dentro de museus e sobre o museu propriamente dito.
Eu e meus filhos exploramos os jardins imaginando os festivais, as danças e concertos que aconteceram no século XIX por ali.

É um lugar muito interessante, faça chuva ou faça sol. Quando está sol, você pode escolher sentar em um dos bancos e contemplar a vista dos sonhos antes de caminhar pelos jardins.
Já estive ali algumas vezes com chuva e não é tão ruim como parece. É bem mais silencioso e o jardim fica praticamente à sua disposição – apenas não esqueça o guarda-chuva e as galochas.

Gosto de imaginar uma volta ao tempo. Há tanta história para ser contada ali, tanto do ponto de vista arquitetônico como do jardim, incluindo as esculturas (mas isto fica para um próximo post).

Vamos voltar ao tempo: o Hôtel Biron era uma mansão como você vê na foto. Teve alguns donos antes de ser adquirida por Louis-Antoine de Gontaut-Biron no século XVIII. Ele modificou os jardins, respeitando o lay-out de jardim francês e as espécies plantadas pelos antigos donos. Expandiu os jardins e construiu uma piscina circular para dar um ar inglês ao local.  Até hoje o lugar é chamado de Hôtel Biron por causa dele.

No século XIX, o novo dono, o duque de Charosy vendeu a propriedade para três freiras que transformaram o lugar em um colégio interno para meninas e ali fundaram a Sociedade do Sagrado Coração de Jesus. Enquanto eram donas da propriedade, construíram várias capelas pequenas. A capela do térreo tinha formato de cruz. Quem morava no convento tinha acesso ao térreo e podia sentar nas galerias do andar de cima. Quando a sociedade delas se desfez, elas foram despejadas. Enquanto a propriedade estava à venda, foi alugada para um monte de artistas. Entre eles, Rodin que alugou quatro andares no térreo para usar como estúdio.

Neste período, o jardim ficou um pouco negligenciado e acabou se tornado uma florestinha onde Rodin começou a espalhar algumas de suas obras. Em 1911, transformou o prédio inteiro em seu próprio estúdio. Rodin deu a sua completa coleção de trabalhos, do menor desenho a maior escultura para o novo dono da propriedade: o estado Francês.

O museu Rodin abriu em 1919 e transformou a capela em uma sala de exibição. No entanto, foi apenas nos anos 60 que os trabalhos arquitetônicos para acomodar melhor as obras e melhorar a iluminação aconteceram. Atualmente, há um telhado de vidro que clareia o ambiente onde era antes a capela e está ligado diretamente à entrada do museu (algo que vale a pena ser notado no local).

Há uma pletora de boas vistas dependendo onde você fica.
Durante o verão e outono, as cadeiras de madeira são uma isca que você não consegue evitar. É impossível não sentar-se à sombra das árvores.

Agora é o fim do inverno por aqui e já levei minha caçula bebê diversas vezes lá.
Cada adulto com crianças no carrinho ganha uma visita grátis nos jardins.
Criei um itinerário próprio para visitar o jardim que, parece, minha filha gosta muito.
O pensador é nossa primeira parada. Ela anda livremente por este local. Sempre damos um alô para esta estátua. Nos perguntamos sobre o que estaria pensando? Se pudesse falar, o que diria?

Em seguida, vamos sempre para o andar de baixo, a caminho do café do museu. Vejo que ela gosta muito de olhar as estátuas e eu quase posso ouvi-la pensar  quem elas são. Com passos de tartaruga, nós ziguezagueamos pela área de areia. Ali não é necessariamente obrigado estar equipado com baldinhos e pás. Você está visitando a Cidade Luz com seu filho e pode encorajá-lo a usar de sua imaginação. Há um monte de gravetos que caem das árvores que podem ser usados como utensílio para escrever na areia, por exemplo. Às vezes, minha bebê finge estar limpando com o graveto a caixa de areia. E a brincadeira preferida dela é andar na borda da caixa de areia sem perder o equilíbrio.

Na maioria das vezes, a área da caixa de areia é solitária. Ela está quase que esperando as crianças virem descobri-la. Talvez seja um dos segredos mais bem guardados de Paris. Quando me canso da multidão dos outros parques, escolho andar um pouco mais e vir até aqui, quase um jardim privado.

Admiramos também as plantas, os degraus, as estátuas, as marcas no chão, e prestamos especial atenção aos seixos. Minha filha é fã deles, como toda criança pequena. A especialidade dela é mudá-los de lugar e gradualmente ir recolocando-os em outro. Formando assim uma estranha torre de Pisa. Sempre fico fascinada com o modo como ela trabalha com os seixos. Nesta atividade, ela requer toda a minha atenção para evitar que coma as pedrinhas.

Após um bom tempo na caixa de areia, rumamos devagar para o café do museu.

Na saída, há coisas muito interessantes na lojinha. Achei estas borrachas vermelhas bonitinhas. Sempre que viajo, me atenho a seção de livros infantis porque podemos nos deparar com uma joia cultural que nossos filhos irão amar.

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