6 Feiras Orgânicas em São Paulo

ABRE

Já pensou em largar a vida de executivo e se dedicar a um projeto que fizesse mais sentido para o planeta? Muitos pensam, mas poucos conseguem realizar. Não foi o caso de David Ralitera.

francês que em 2006 já havia trocado Paris, onde tinha uma vida bem-sucedida no mercado publicitário, para trabalhar como diretor de mídia na JWT, uma das maiores agências de publicidade em São Paulo, largou tudo para se dedicar àquilo que até então considerava hobby: a agricultura orgânica. “Não tinha mais uma boa conexão com o que fazia e tinha vontade de ter o meu próprio negócio”, conta.

Tudo começou por acaso. David, que era casado com uma brasileira, costumava passar os finais de semana na fazenda da família dela em Morungaba, interior de São Paulo. “Quando começamos a frequentar a fazenda, gostava de levar nossas três filhas para colher legumes na horta e comecei a me interessar cada vez mais pelo assunto. Confesso que me sentia frustrado na hora de ir embora e pensava se não conseguiria transformar o hobby em algo perene”.

Incentivado por Reginaldo, o funcionário que era responsável pela roça local, resolveu investir em algo mais profissional. Segundo o entendido no assunto, para ter legumes mais bonitos e variados ao longo do ano todo, era necessário construir uma estufa que protegesse a plantação da chuva, que, naquela época — pasme — era abundante. 

No início David achou que a mudança não era necessária, mas acabou vencido pela insistência de Reginaldo. Afinal o investimento era razoável. Algo em torno de R$ 1.500 à época.

Mas o que David não tinha previsto é que o empreendimento não ficaria apenas na montagem da estufa, havia também a necessidade de revesti-la com um material apropriado e instalar um sistema de irrigação. “Não preciso nem falar que o gasto inicial foi bem maior do que o anunciado pelo Reginaldo”, declara.  Na época, segundo David, cada vez que colhia uma alface, calculava que o custo dela (se dividisse o seu investimento pela quantidade do vegetal) seria de mais ou menos uns R$ 300. Tinha de fazer algo para recuperar o investimento e, aí, meio que por acaso mesmo, teve início a Santa Adelaide Orgânicos.

Contexto Orgânico

Hoje, a fazenda Santa Adelaide Orgânicos produz mais de 80 tipos de legumes, frutas e verduras. “Quis eu mesmo vender os meus produtos, sem intermediários”, conta David, que acredita ser a figura do pequeno produtor (muito comum na França) uma segurança para o consumidor da origem e qualidade do produto que ele está consumindo. “Apesar de ter o selo orgânico, só uso quando preciso comprovar que a minha produção é orgânica. Acho bacana a questão da confiança. Minha plantação está aberta para quem quiser conhecer in loco”, diz.  Além de não usar agrotóxicos, os produtos da Santa Adelaide Orgânicos são produzidos de acordo com uma mentalidade orgânica de transparência, consumo consciente de água e 

rodízio de culturas. 

O cultivo de plantas esquecidas é mais um atrativo da fazenda. “É o caso da cenoura roxa e do tomate negro”, conta David. “Com o tempo elas deixam de ser cultivadas e acabam por cair no esquecimento.” Segundo ele, a pesquisa sobre as variedades dos produtos é uma das coisas que mais o fascina nesse negócio.

A Santa Adelaide Orgânicos entrega hoje mais de 100 cestas semanais (médias, R$ 58 ou grandes, R$ 77) sob encomenda em São Paulo, além de fornecer os seus produtos para 140 restaurantes, duas cozinhas industriais e para a feira orgânica do Ibirapuera. “Minha propaganda é o boca a boca. Estou feliz com o meu negócio. Há pouco tempo, fazia duas entregas semanais. Hoje já são quatro, e de uma Kombi, passei a encher três caminhões de coisa boa, saudável”, conta.

David sonha com o dia em que não terá mais de fazer a distribuição de seus produtos. “Queria mesmo que as pessoas viessem até mim.” Sua inspiração é o produtor Joel Thiebault, que tem uma banca de feira em Paris e atende os melhores restaurantes e chefs da cidade luz. 

Sua vida mudou radicalmente nos últimos anos. Hoje David não tem mais 13º salário ou plano de saúde oferecido pela empresa em que trabalhava. Teve de abrir mão da secretária bilíngue e do diretor de TI que arrumava a sua impressora.
Mas mesmo sem todos os mimos de uma grande empresa, se sente pleno na sua nova vida. “Estou feliz hoje porque me sinto envolvido pelo trabalho que faço, acredito no seu propósito e na sua grandeza. Eu me sinto um jovem empreendedor, cheio
de desafios”, declara ele.

O início da Santa Adelaide Orgânicos

“Comecei a vender meus produtos nos condomínios da região. Montava uma cesta semanal com uma boa variedade de verduras, legumes e tubérculos e, assim, fui conseguindo sustentar a horta sem ter prejuízo”, relembra. O fato é que os vizinhos compravam, mas ainda não estavam convencidos de que os produtos do David eram de fato orgânicos. E foi nesse momento que ele sentiu a necessidade de ter o reconhecimento de um selo orgânico. “A verdade é que o consumidor paulistano não se interessa em saber de onde veio o legume ou a fruta. Mesmo que um abacaxi seja de monocultura e tenha percorrido 800 km para chegar até São Paulo (e com isso o caminhão tenha emitido uma grande quantidade de gás carbônico no percurso), o que vale é o selo”, conclui. Mas, segundo ele, o produto orgânico para ser de fato orgânico tem de ser produzido dentro de um contexto sustentável.

Santa Adelaide — Morungaba, São Paulo
Contato: Rod. Engenheiro Constâncio Cintra Silvas
Email: santa.adelaide.organicos@gmail.com
Facebook/fazenda.santaadelaideorganicos

6 feiras orgânicas em São Paulo

FEIRA DA AGRICULTURA LIMPA

Quando? Sábados, das 7 às 12 h
Por que vale a pena? A colônia japonesa na região em torno do Parque do Carmo, extremo leste da cidade, é que abastece a feira de produtos recém-colhidos das fazendas da região.
Onde? Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951 — Itaquera — São Paulo

FEIRA ORGÂNICA DE GUARULHOS

Quando? Sábados, das 7 às 13 h
Por que vale a pena? A feira oferece café da manhã, massagens relaxantes gratuitas, receitas saudáveis preparadas por um chef, além de tenda de artesanato de materiais sustentáveis.
Onde? Praça Vila Centenário — Centro — Guarulhos

FEIRA DO PARQUE BURLE MARX

Quando? Sábados, das 7 às 13 h
Por que vale a pena? É abastecida com produtos cultivados na região de Parelheiros, zona sul da cidade, o que minimiza gastos com transporte e aproxima produtor e consumidor.
Onde?  Av. Dona Helena Pereira de Moraes, 200 — Morumbi — São Paulo

MERCADO MUNICIPAL KINJO YAMATO

Quando? Sábados, das 7 às 13 h
Por que vale a pena? Fica em frente ao Mercado Municipal Central, na região da rua 25 de Março. O acesso é fácil pela estação D. Pedro II do metrô, linha vermelha.
Onde? Rua Cantareira — Parque D. Pedro II — São Paulo

FEIRA DO PRODUTOR ORGÂNICO AAO

Quando? Terças, sábados e domingos, das 7 às 12 h
Por que vale a pena? por que vale a pena? Inaugurada em 1991, fica no Parque da Água Branca e é organizada pela ONG que regula as normas de produção de orgânicos.
Onde? Av. Francisco Matarazzo, 455 — Perdizes — São Paulo

MODELÓDROMO DO PARQUE IBIRAPUERA

Quando? Sábados, das 7 às 13 h por que vale a pena?
Por que vale a pena? Todo mês ocorre ali o Chef na Feira, evento em que um cozinheiro famoso ensina o preparo de um prato saudável com os ingredientes disponíveis no local.
Onde?  Rua Curitiba, 292 — Vila Mariana —São Paulo

Conteúdo extraído da Revista BLEND, produzida pela Magu Comunicação Integrada para o salão BLEND YOUR MIND. Fotos de Felipe Hellmeister, cedidas por Fazenda Santa Adelaide & David Ralitera.

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